quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

uniões, igualdades & diferenças...

Foi aprovado esta semana na assembleia da república o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Naturalmente sou contrário a qualquer tipo de descriminação seja ela religiosa, racial, social, cultural, sexual ou outras.

Mas também discordo da actual tendência de nivelar tudo pela mesma bitola julgando que tudo o que é não é igual é indesejável impedindo as diferenças, uniformizando artificialmente tudo. Este horror à diferença é pernicioso pois toma por igual o que é diferente, castra a liberdade e impede o respeito pelas opções de cada um.

A assunção da diferença não é uma formulação de um juízo de valor constitui apenas uma constatação da realidade.

É desonesto comparar esta situação com a descriminação racial dos negros ou tantos outros exemplos pois nesta situação devido à sua raça a sua liberdade de acção real estava impedida.

Esta descriminação, pelo menos nas sociedades ocidentais, é do ponto de vista legalista apenas formal pois ninguém está ou esteve impedido de tomar ou assumir as suas opções ou orientações sexuais.

Um homem é diferente de uma mulher e isso não implica que não tenham os mesmos direitos e obrigações.

Da mesma forma que a união entre pessoas do mesmo sexo não é igual a uma união entre pessoas de sexos diferentes embora naturalmente e sem qualquer restrição considere que ambas devam ter os mesmos direitos e obrigações.

Quanto à adopção a questão tem que estar focada nas crianças. Os direitos das crianças sobrepõem-se aos dos pais adoptivos. Não podemos esconder a cabeça debaixo da areia e esquecer que não existe discriminação. Ela existe, e por isso desde logo não podemos submeter as crianças à violência e ao estigma de viverem e crescerem numa família que é socialmente vista como disfuncional. As crianças não podem ser arma de arremesso nesta discussão.

Também recuso a aceitar a forma como é atacada a família, agora dita tradicional, pois parece que hoje não passa de algo ultrapassado e obsoleto que podemos facilmente dispensar. Isto para não falar na palavra proibida em que se tornou a procriação, pois a sua simples pronúncia confere logo um atestado de menoridade intelectual.

Sim, eu acho por muito esotérico que possa parecer por estes dias que as uniões com pessoas do mesmo sexo não são o mesmo e por isso não devem ser designados da mesma forma como a união entre pessoas de sexos diferentes, designado por casamento. Os direitos devem ser iguais mas nos dois casos.

Sim, eu discordo da possibilidade de adopção de crianças por casais do mesmo sexo, por respeito às crianças.

Discordo do referendo pois a assembleia tem toda a legitimidade para aprovar esta lei.
 
Também não perdi o sono pela lei ter sido aprovada.

7 comentários:

  1. Como se não chegassem todas os contras que pululam por aí, tu ainda tinhas que trazer este assunto para o blogue. Só para apimentar a coisa, não é? Deve de ser isso. ;)

    Não queria ter que ser eu dizer-te isto mas é que começas logo com uma contradição: "Naturalmente sou contrário a qualquer tipo de descriminação". Ora, como mostras lá mais para a frente: naturalmente és! E podia ficar por aqui. Só isto já diz tudo. Mas vou continuar. Parágrafo por parágrafo.

    E tudo a dar-lhe na contradição. Pegando nas tuas palavras posso dizer o seguinte: não ter horror à diferença é aceitar a diferença e permitir-lhe os mesmos direitos que aos “não-diferentes”. Qual é que é a questão aqui? É que não há diferença, sabes? Aliás, vendo bem a coisa, até não podiam ser mais iguais. São duas pessoas que se amam. Decerto sabes: o amor é todo igual. É de amor que se fala aqui, duas pessoas que se amam e que querem ficar juntas, se o querem, devem poder, aos olhos da lei, fazê-lo. Assim como eu e tu podemos se assim o quisermos. Um casal homossexual é tanto diferente dos restantes quanto dois casais heterossexuais são diferentes entre si e, no entanto, estes têm os mesmos direitos.

    Ora bem, desonesto é não comparar! Falas de indivíduos privados dos seus direitos logo a analogia impõe-se. Os negros estavam proibidos de frequentar os mesmos espaços que os brancos. Um negro nem podia olhar para uma miúda branca, quanto mais casar com ela. Era isto. E era aceitável. Na época, fazia muito sentido para muita boa gentinha. Porquê? Pela justificação que aparentemente explica tudo: eram diferentes. Ora, hoje (e sempre!) nós sabemos: são seres humanos, são iguais e têm que ter todos os mesmos direitos.

    “Ninguém está impedido de assumir as ORIENTAÇÕES sexuais.” Isto é apenas uma correcção, no teu texto tens uma palavra a mais: “opção”, presumo que seja uma gralha porque ninguém opta por ser homossexual. Nos dias de hoje também sabemos isto. Assim como eu não opto gostar ou não de alguém, gosto e pronto. Com os homossexuais é o mesmo. Mas não precisava dizer isto, né? São pessoas, porque seriam diferentes?

    Agora vou ignorar esta coisa do diferente para aqui e para acolá, reupeupéu e pardais ao ninho, e corrijo só outra coisinha “ambas TÊM ter os mesmos direitos e obrigações.”. Que isto dos direitos é uma coisa muito fascista: é assim e mai’nada!

    Quanto às propostas que circulam: chamem-lhe outra coisa! Tudo bem: todas as uniões, heterossexuais ou homossexuais, seriam “união civil”. Fica a, tão sagrada, palavra “casamento” no baú e os cristãos que façam com ela aquilo que entenderem. Parece-me justo. Afinal, diferente para o que é, realmente, diferente.

    Chegamos à adopção, dizes muito bem, “não podemos esconder a cabeça na areia” e fechar os olhos a todas essas crianças perdidas no Mundo, maltratadas, largadas, sem família e sedentas de amor. Crianças que nasceram de uma relação heterossexual. Curioso, não é? Uma família homossexual vai ser prejudicial para estas crianças; crianças que foram abandonadas pelos seus pais…heterossexuais. Baralhei-me! Quem é que fez realmente mal às crianças, mesmo? Quem pode garantir que uma família heterossexual é mais funcional que outra qualquer? É que o número de crianças em orfanatos ou abandonadas pelas ruas deste Mundo contraria isso mesmo! Não podemos fechar os olhos, devemos dar às crianças aquilo e só aquilo de que eles precisam: amor.

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  2. [CONTINUAÇÃO]


    Há 39 anos (tanto tempo, vê lá tu!) uma equipa de investigadores de Cambridge iniciou um estudo: “Mães homossexuais versus mães heterossexuais” do qual resultaram várias conclusões sendo que nenhuma delas indica perigo para as crianças. É preciso ter muito cuidado quando se lançam estas afirmações apenas baseadas em preconceitos. Não há estudos suficientes que garantam isso. Assim como não há aqueles que garantem que um casal heterossexual é o melhor para uma criança. E estes bem precisavam de ser realizados. Lá porque uma coisa é dita normal não lhe confere todas as outras qualidades que são fundamentais para educar um ser humano. Aliás, as provas estão aí, repito: as crianças são fruto de relações heterossexuais, não há outra forma, e são tantas as crianças a sofrer às mãos destes pais!

    Para terminar, eu perco o sono com este assunto. Porquê? A discriminação põe-me doente.

    Vá, mas gosto de ti na mesma. ;)
    Beijinho

    P.S.: Do caraças se a cada um destes homens e mulheres que são contra tudo isto sai na rifa um filho homossexual! Do caraças! Deve ser muito chato quando são os nossos filhos que são tratados como diferentes.

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  3. Já dizia o Aristóteles (sim esse mesmo, tão grego como o Sócrates...) que não há maior desigualdade do que tratar de forma igual aquilo que é desigual. Lamentavelmente a validade deste pincípio varia em função das conveniências do momento.

    FF

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  4. Oh minha querida, olhe que é próprio de um certo tipo de pessoas entrar pelo deboche quando faltam os argumentos sérios. De resto, quem se desculpa, culpa-se e quem se justifica, acusa-se.

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  5. A querida agradece a preocupação mas há mais que me preocupe. Deveria fazer o mesmo: preocupar-se com mais, que não as queridas deste Mundo. Tchüs"

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  6. Estão verdes, não prestam...
    FF

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